Resumo
Objetivo: Analisar o paradoxo entre inovação tecnológica e desenvolvimento, examinando como os avanços tecnológicos podem simultaneamente impulsionar o progresso econômico e social e intensificar desigualdades, riscos ambientais e exclusão social, discutindo a inovação inclusiva como estratégia para a efetivação do direito ao desenvolvimento.
Metodologia: A pesquisa adota abordagem qualitativa, com método dialético e fundamentação teórico-bibliográfica. Foram analisadas contribuições de Joseph Schumpeter e Ulrich Beck, além de referenciais do direito constitucional brasileiro e da teoria do desenvolvimento, com foco na Constituição Federal de 1988 e em estudos contemporâneos sobre inovação, sustentabilidade e solidariedade.
Resultados: Os resultados indicam que a inovação tecnológica constitui fator central do desenvolvimento, conforme a perspectiva schumpeteriana da destruição criativa, mas também gera riscos e externalidades negativas, conforme a teoria da sociedade de risco de Beck. Observa-se que a concentração dos benefícios tecnológicos e a lógica consumista ampliam desigualdades sociais e ambientais, evidenciando o paradoxo entre progresso técnico e justiça social. A inovação inclusiva, orientada pela solidariedade e pela equidade distributiva, emerge como alternativa capaz de integrar crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e inclusão social.
Conclusão: Conclui-se que a inovação tecnológica, embora indispensável ao desenvolvimento, não garante por si só a realização do direito ao desenvolvimento. Sua efetividade depende da distribuição equitativa de seus benefícios, da cooperação solidária entre Estados e da adoção de políticas públicas voltadas à inovação inclusiva, capazes de promover desenvolvimento sustentável e redução das desigualdades.
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