Policiamento Comunitário na cidade de Lages/SC: reflexos e reflexões acerca do processo de violência institucional e participação popular

Claudio Augusto Lima da Costa, Cristina Cordeiro Alves

Resumo


O presente artigo científico tem como objetivo analisar a evolução do Policiamento Comunitário na cidade de Lages/SC no período de 2002 (época de sua fundação) a 2012, perfazendo uma investigação de dez anos de atuação na referida cidade serrana; conhecer as opiniões de pessoas ligadas à segurança pública na cidade e à comunidade em geral acerca da funcionalidade e real efetividade do Policiamento Comunitário; verificar de que forma o Policiamento Comunitário e, por consequência, os Conselhos Comunitários de Segurança – CONSEGs - se constituem num instrumento de participação popular, prevenção à violência localizada e às conflitualidades e, principalmente, as razões do enfraquecimento do projeto nos dias de hoje. Trata-se de um estudo de caso que tem como premissa a compreensão do desenvolvimento de um projeto de polícia cidadã a partir de uma anatomia das instituições policiais, em especial na cidade de Lages/SC. A pesquisa utiliza-se de instrumentos bibliográficos e empíricos para chegar às respostas almejadas. Transita por aspectos históricos da formação da Polícia no mundo e no Brasil, em especial no Estado de Santa Catarina, assim como a relação da instituição com a sociedade em geral. Para tanto efetiva uma evolução histórico-normativa que capacita a plena compreensão do papel e função da Polícia Militar e da Polícia Civil no decorrer dos tempos. Avança, por fim, na compreensão do papel das polícias, tipos-ideais em disputa e a transição de um modelo profissional de Polícia para um modelo cidadão.


Palavras-chave


Policiamento Comunitário; Violência; Participação; Reconhecimento; Conflitualidades

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DOI: https://doi.org/10.21902/rctjsc.v8i1.164

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